#TarotNaReal será uma série de “contos”, ou melhor… acontecimentos durante as consultas de Tarot! Afinal, muitos consulentes se tornam colegas, dividem um pequeno mundo comigo! O texto a seguir tem nomes que são todos fictícios para preservar a identidade das pessoas.

A consulta parecia andar como qualquer outra. Problemas no amor, coisas que precisavam ser compreendidas… nada absurdo. O Leonino ria de nervoso, pois sabia que as cartas não mentiam. Até que chegamos no último jogo. Ele queria muito alguns conselhos espirituais, e estava curioso para saber o que os guias dele tinham a dizer. Pois bem, as cartas foram reveladas…

O Diabo junto do 9 de Ouros vinha me mostrando que ele estava fazendo alguma coisa muito errada! Antes de continuar, ele deu aquele sorriso amarelo, meio sem graça. Queria falar, mas pediu que eu continuasse. Mal comecei a falar também do 3 de Copas, junto do 5 de Paus, que indicavam muitas tretas, causadas por ele mesmo entre os próprios amigos! Aí sim, ele não aguentou:

– Deixa eu te contar… Tô vendo que meus guias não vão apenas dar uns conselhos! Eles vão expor tudo antes, né? Pra eu tomar vergonha na cara, né?

– É, eu acho que sim! – Larguei as cartas e esperei. Ele queria falar, e é normal que o consulente queira conversar um pouco sobre os assuntos mais sensíveis.

– Bom – ele começou -… não fique brava comigo

E lá vem ele contar que passou alguns anos dentro de um terreiro e que era um mulherengo. A Mãe de Santo dele disse para ele parar de causar com a mulherada, porque, um dia, uma delas ia causar com ele. Certamente ele não quis ouvir, achou que era “mimimi”. Fez questão de dizer “Ah, para, agora a espiritualidade vai querer encher o saco na minha vida amorosa?”. Hoje ele sabe que não é isso, é só que tudo tem sua ação e reação.

Um dia, ele acordou na cama de uma moça linda. A balada tinha sido ótima, porém, ele não lembrava de nada. Aquela moça ma-ra-vi-lho-sa fazia de tudo por ele, todas as fantasias dele. E aí, enjoado dela, ele resolveu arrumar outra. Só que ele não avisou que tinha terminado nada, ele só saiu. Sumiu. Não demorou para sentir que algo estava errado. Começou com problemas de ereção. Por duas semanas, sonhou com a Mãe de Santo dizendo “um dia serão elas que vão causar contigo”. Enfim, o dia tinha chegado.

Correu para o terreiro e pediu ajuda. A Mãe de Santo tinha falecido, e ele morria de vergonha de abrir a história para outras pessoas. Aquela senhora o conhecia desde moleque, só por isso ela sabia. Recorreu, ele mesmo, a rituais que encontrou na internet e nada resolveu. Depois, tentou buscar a moça, mas não a achava em lugar algum. Ele queria pedir desculpas, queria pedir para ela deixar ele em paz.

Infelizmente, sem o “orgulho dele subindo”, como ele mesmo disse, acabou indo encher a cara para esquecer.

Do álcool, foi para drogas mais pesadas. Até que ele foi parar no crack. Ou melhor: a Pedra Filosofal. Quando usava crack, ele filosofava com ele mesmo. No primeiro dia, foi engraçadinho. No segundo, usando uma dose pequena, ele se sentiu “em outros planos”. Pensou que não fosse ficar viciado, mas ficou. A coisa piorou. Só largou porque os pais dele apareceram de surpresa e o obrigaram a ir para uma clínica.

Ficou meses por lá. Prometeu para si mesmo que não faria mais besteira. Tatuou a “Pedra Filosofal” como símbolo para não esquecer mais do rolo que se meteu. Viajou para a Espanha para recomeçar. Queria retornar depois de uns anos, com uma entrada triunfal no jantar da família, no Natal.

– Caramba, Leonino! É claro que seus guias estão tristes com você, e querem que você melhore!

– Ah, Dona Rosa, mas não acabou aí não…

Disse que queria se resolver logo, pois queria voltar esse ano para casa. Porém, será que os guias dele dariam um conselho sobre o ROLO ATUAL?

– Mas… Mas você não disse que até tatuou a “pedra filosofal” para não se enfiar mais em rolos?!?!?! – Sim, eu já estava indignada! E ele ria, e ria! Ele sabia que estava fazendo besteira.

– Então… É que estou casado com uma amiga espanhola, para conseguir a cidadania espanhola. Me “arrumei” com uma senhora de 64 anos, que gosta de me ver fazer strip, e me dá tudo que eu quero. E… e tem outra moça aí, que eu gosto.

Fiquei sem saber o que dizer! O bom é que o bonito sabe muito bem o que está fazendo! Dei alguns conselhos e ele agradeceu. No fim, só veio conversar. Ele sabia muito bem o pé que as coisas estavam! O bom é que terminamos a conversa com muitas filosofias sobre como nossos guias avisam as coisas, e como nós que fazemos as besteiras porque sim, porque a gente quer e depois reclamamos tapando os olhos, fingindo que não sabemos de nada. Ai ai… Que não vá se enfiar em mais rolos e rolos!

 

Até a próxima!

Beijinhos!

Autor: Rosea Bellator
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