Perséfone. A Rainha do Submundo. A Senhora das Flores e dos Mortos. A jovem que caminha entre dois mundos e conhece tanto o perfume da primavera quanto o silêncio das profundezas.

Filha de Deméter, deusa da colheita, Perséfone representa o eterno ciclo da vida, da morte e do renascimento. Ela nos lembra que nenhuma flor permanece aberta para sempre e que nenhuma noite é eterna. Toda descida prepara uma nova subida.

Sua história é uma das mais conhecidas da mitologia grega.

Enquanto colhia flores em um campo, Perséfone foi levada por Hades para o Submundo. Deméter, tomada pela dor, abandonou a terra. As plantações morreram, os rios secaram e o inverno cobriu o mundo.

Zeus precisou intervir. Foi decidido que Perséfone retornaria para a mãe… mas havia um detalhe. Durante sua permanência no Submundo, ela havia comido sementes de romã. Ao aceitar o alimento daquele reino, passou a pertencer a ele também. Assim nasceu o ciclo das estações. Durante parte do ano, Perséfone vive ao lado de Deméter, trazendo a primavera e o verão. Na outra parte, retorna ao Submundo para governar como Rainha dos Mortos, permitindo que o outono e o inverno façam seu trabalho. Mas reduzir Perséfone apenas à “donzela sequestrada” é esquecer metade de sua história.

Ela volta. E quando volta, já não é mais a mesma jovem. Ela retorna coroada. Retorna conhecendo a escuridão. Retorna dona de um reino inteiro.

Perséfone nos ensina que algumas perdas nos transformam para sempre. Existem dores que não podem ser apagadas, apenas integradas. Existem portas que, depois de atravessadas, nunca mais nos permitem enxergar o mundo da mesma forma. Ela governa justamente esse espaço entre quem fomos e quem nos tornamos.

É a deusa dos ciclos, dos encerramentos, do amadurecimento, da transformação. Perséfone ensina que enfrentar nossas sombras não significa ser consumido por elas. Pelo contrário: significa descobrir uma força que só existe depois da travessia.

Seus símbolos são a romã, as flores, especialmente o narciso (a flor que ficou distraída no momento do rapto), a tocha, a coroa, as serpentes e as chaves do Submundo. Também são sagrados para ela os ciprestes (árvore associada ao luto), as papoulas e tudo aquilo que marca o fim de um ciclo para que outro possa nascer.

Perséfone costuma ser celebrada principalmente durante o outono e o inverno, quando a natureza parece recolher sua energia. Mas sua presença também floresce na primavera, lembrando que toda luz verdadeira já conheceu a escuridão.

Celebrando Perséfone

Encontre um lugar tranquilo onde possa permanecer em silêncio por alguns minutos.

Acenda uma vela branca ou preta. Se preferir, utilize apenas a luz natural do entardecer.

Feche os olhos.

Respire profundamente.

Imagine um caminho cercado de árvores antigas, enormes, de raízes profundas… O ar está fresco. O som do mundo vai desaparecendo enquanto você caminha. Aos poucos, uma escadaria de pedra surge diante de você. Desça. Não tenha pressa.

Cada degrau representa algo que você precisa deixar para trás: um medo, uma culpa, uma expectativa, uma versão antiga de si mesma.

Quando alcançar o fim da escadaria, verá um vasto jardim iluminado por uma luz suave do limiar… o fim de tarde, entre o dia e a noite. Flores negras dividem espaço com flores brancas. Ali, sentada em um trono simples, está Perséfone.

Ela não sorri. Também não ameaça. Ela apenas observa. Aproxime-se.

Conte a ela qual ciclo deseja encerrar.

Fale sobre aquilo que precisa morrer dentro de você neste momento da sua vida, para que algo novo possa nascer. Enquanto faz isso, sentimentos, ideias, sensações surgirão… não tente analisar agora.

Talvez Perséfone permaneça em silêncio. Talvez ofereça uma romã, para que você também faça sua travessia. Talvez apenas olhe em seus olhos.

Aceite a resposta. Quando sentir que é hora de partir, agradeça à Rainha do Submundo. Suba novamente a escadaria. Ao abrir os olhos, escreva em um papel aquilo que decidiu deixar para trás. Anote, em seu grimório, todas as sensações, ideias, pensamentos que vieram ao longo deste momento de conexão.

Guarde esse papel até a próxima Lua Nova. Depois, queime-o ou enterre-o em um jardim, devolvendo aquele antigo ciclo à Terra.

Como oferenda, deixe algumas sementes de romã, flores frescas ou um pequeno cálice de vinho sobre seu altar durante uma noite. No dia seguinte, devolva as flores ou as sementes à natureza e agradeça pela transformação.

Perséfone caminha conosco sempre que temos coragem de atravessar um inverno interior sem esquecer que a primavera continua existindo, mesmo quando ainda não possamos vê-la.

Abençoados sejam todos!

Quer mais? Se liga aqui ó:

Um beijo!

Autor: Rosea Bellator
E-mail: oficinadasbruxas.odb@gmail.com

Atenção: A reprodução parcial ou total deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº 9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress