Sekhmet, a Leoa Escarlate, a deusa da guerra, das doenças e da cura. Uma guerreira. Senhora de muito poder e encantos. Sekhmet vem das areias quentes do Egito, e representa a face anciã. Seu poder, de puro fogo e ímpeto, ligado ao lado mais violento do Sol, está ligado à raiva, à sombra, ao fogo, ao corpo, a tudo que negamos e acabamos deixando de aprender sobre nós mesmos. Sekhmet é a guerreira sem medo, capaz de destruir o que já não presta para então recomeçar.

A Deusa Sekhmet. Ilustração de Hrana Janto.

A Deusa Sekhmet. Ilustração de Hrana Janto.

A história de Sekhmet possui diversas pequenas variações, mas sempre acontecem seguindo o mesmo script.  Rá, o grande deus e senhor do Egito, aborreceu-se com a humanidade. As pessoas estavam corrompidas pelo caos. Eram ingratas e só queriam farrear, roubar. Blasfemavam e faziam a terra ir de mal a pior. E nesse dia, Rá desejou a destruição da humanidade. Foi quando Sekhmet nasceu. A deusa veio da ira de Rá, desceu os céus armada e cheia de vigor. Seu rugido tremeu a terra, espalhou pragas e, com as próprias mãos, massacrou os humanos…Sua raiva era tão absurda que, após chacinar durante dias, ela não parou. Sekhmet já começava a matar inocentes. Rá percebeu que aquilo tinha tomado proporções gigantescas e que precisava parar. Arrependido de seu desejo de destruição, ensinou aos sacerdotes uma bebida com aspecto de sangue. No outro dia, quando Sekhmet se levantava para massacrar novamente, ela avistou poças e barris de uma bebida vermelha. Louca em sua ira, ela bebeu pensando ser sangue e assim acabou embriagada. Rá não amaldiçoou Sekhmet. Ele sabia que era fruto dele mesmo, portanto, para acabar com o massacre, transformou Sekhmet, a leoa – a deusa do ódio e da guerra – em Hathor, a vaca -a deusa do amor e dos prazeres.

Como pode perceber, Sekhmet é a face escura, do ódio. Hathor é a face de luz, do amor. Apenas uma linha tênue separa os dois polos, que mudará conforme a necessidade.

Sekhmet ensina sobre o momento o ímpeto, que devemos agir e botar abaixo o que não tem mais utilidade. Ensina sobre aprender a lidar com a raiva, com nosso eu mais escuro. A usar a força no momento certo, seja nas palavras, seja nos braços. Defenda-se, mas nunca perca  controle… nunca deixe a raiva ser mais do que você.

Seus símbolos são: o arco e flecha, que representa a caça. A cabeça e as garras de leoa. O rugido, as chamas, o medo. O ankh e a serpente também são seus símbolos, que representam a vida e a sabedoria eterna e a cura. Por representar a face anciã, mas também a mulher guerreira, Sekhmet pode ser representada na lua nova, minguante, negra e cheia.

Celebrando Sekhmet

Passou ou está passando uma raiva do caramba? Tá dando vontade de quebrar tudo? Enfiar a mão na cara de alguém e tacar fogo no mundo? Nem você entende sua raiva? Segura ela aí!

Consiga uma fonte de fogo. Pode ser o sol batendo na sua janela de dia, pode ser uma vela a noite.

De pé, feche os olhos e sinta esse fogo acordar seu corpo, aquecer você por inteira. Ruja! Ouça o seu rugido, vindo do fundo da sua alma. Veja seu espírito em chamas e crescendo, tornando-se o próprio fogo.

Faça uma postura de quem vai lutar. Se você usar espada ou algo do tipo, e já sabe lutar, pode usar a posição que conhecer.

Ainda de olhos fechados, em sua visualização, veja o deserto. Sinta a areia quente sob seus pés. O vento impiedoso. Se sentir medo, pare. Abra os olhos e tente outro dia. Se sentir ainda sua raiva ou qualquer outra coisa, menos medo e sentimento semelhante, continue.

Você vai ver uma leoa ou a própria Sekhmet na forma de mulher-leoa, armada e com seus dentes de fora. Ela virá até você e pode ser que acabem numa luta. Não se preocupe, dê seu melhor, ela não vai fazer nada além de lutar. E aí, em certo ponto, ela vai parar e lhe dar espaço para falar de sua raiva, de seus ímpetos. Fale, ruja, transforme-se num leão ou leoa, ruja com a deusa.

É provável que lutem novamente, gastando assim sua energia, gastando sua raiva.

Quando enfim estiver no chão, cansado, agradeça a deusa. Ela já vai ter sumido, sem dizer uma palavra. Abra os olhos.

De frente a sua fonte de fogo, agradeça a deusa. Ainda não acabou. Esse é o momento que você sentirá grande inspiração. Anote todas as ideias que vier e ao menos uma delas, deve ser uma atividade física. Seja uma luta, seja uma dança ou um esporte qualquer. Bote isso em sua rotina.

Como oferenda, deixe um copo de vinho – lembra da bebida vermelha? – no seu altar, ao lado de uma vela de cor quente ou simplesmente branca. Deixe por um dia inteiro. Na próxima noite, beba e agradeça novamente. Está feito.

Sekhmet manifesta-se em toda fonte de poder e fogo. Quando quiser sua magia, sua inspiração, tenha uma fonte de fogo e chame o nome dela.

Sempre que precisa aproximar-se, conversar com a deusa, e quiser usar esse ritual, fique à vontade.

Abençoados sejam todos!

Autor: Rosea Bellator
E-mail: oficinadasbruxas.odb@gmail.com

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